As vezes acordo do meio na noite, assustada ... A primeira imagem que vem na minha mente é a da minha mãe no hospital, de ela doente me olhando, seus olhos estão saltados, parece que ela quer me dizer alguma coisa mas não possui forças... Então lembro das suas últimas palavras enquanto estava lúcida...
-Minha filha, eu te amo...-
-Eu também mãe, e você logo vai sair daqui...
Na verdade eu não queria ter dito isso, queria ter chorado no seu colo, ter dito da dor que sentia e ter dito que ela não iria pra casa, que na verdade estava morrendo e que eu também estava.
Mas não podia dizer isso, a verdade muitos vezes se tornou desnecessária, e a mentira tomou o seu lugar, a mentira escondeu da minha mãe o meu choro de criança, as noites mal dormidas .... Minha vontade era pega-la e leva-la para o melhor médico, para o melhor especialista, levá-la para quem pudesse salvá-la do seu destino... Mas isso eu também não pudia... Eu era uma menina num quarto de hospital vendo a morte as poucos, todo dia... Impotente...
Eu queria ter estado lá quando aconteceu, ela decidiu ir embora ao lado do amor da sua vida... Mãe te amo...
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